Você já ouviu falar sobre a adenomiose?

A adenomiose é o termo usado quando as células do endométrio adentram a musculatura do útero. A adenomiose é bem parecida com a endometriose, onde o tecido do endométrio pode crescer em outros locais (como intestino, por exemplo). Antes a adenomiose era também conhecida como endometriose do útero, mas hoje esse termo não é mais usado pois sabe-se que essas duas doenças são distintas.

Anualmente, a adenomiose afeta mais de 150 mil mulheres, e a doença pode tanto causar sintomas como ser assintomática, dificultando o diagnóstico.

Quais são as principais causas e sintomas da adenomiose

Embora não haja um consenso sobre quais são as causas da doença, os principais fatores de risco para o desenvolvimento da adenomiose são:

  • Realização de cirurgias anteriores no útero (como a retirada de miomas);
  • Realização de cesáreas anteriormente;
  • Malformações congênitas do útero;

Além disso, as mulheres que já tem casos relatados na família têm uma maior predisposição de desenvolver a doença. Cerca de 35% dos casos são assintomáticos, o que dificulta a identificação e diagnóstico. Entretanto, nos casos sintomáticos, os principais sintomas relatados pelas mulheres são:

  • Cólica durante o período menstrual muito forte e um maior fluxo menstrual;
  • Útero aumentado, detectável no exame físico o que leva a suspeita da doença;
  • Dor intensa durante as relações sexuais e ao evacuar;
  • Infertilidade e dificuldade para engravidar, principalmente em mulheres acima de 35 anos;
  • Distensão abdominal, sendo que por causa desse sintoma muitas mulheres associam a adenomiose com o ganho de peso.

A adenomiose pode ser classificada como difusa (quando acomete o útero inteiro) ou focal (quando acomete somente uma parte do útero). No caso da adenomiose focal pode ocorrer também a formação de um nódulo no útero chamado adenomioma. A classificação da adenomiose é extremamente importante pois influencia diretamente na forma e no tipo de tratamento da doença. No caso do adenomioma e da adenomiose focal o tratamento escolhido pode ser similar ao tratamento de miomas, sendo retirados cirurgicamente, através da laparoscopia.

Outra classificação usual para a adenomiose é com base na parte da parede uterina que acomete, sendo classificada como superficial (quando acomete apenas um terço da parede uterina) e profunda (quando acomete mais de um terço da parede uterina).

Como lidar com a adenomiose na gravidez

Embora a doença possa causar infertilidade ou dificuldade para engravidar, mulheres com adenomiose podem engravidar dependendo do seu quadro clínico. Entretanto, a gestação de mulheres com adenomiose requer que alguns cuidados especiais sejam tomados. O tratamento adequado deve ser realizado com  atenção e acompanhado por um profissional. Grande parte do tratamento consiste na ingestão de medicamentos à base de hormônios (como a progesterona).

A adenomiose deve ser tratada de forma correta pois ela aumenta as chances de abortamentos, partos prematuros e rompimento prematuro da bolsa amniótica.

Como ocorre o diagnóstico e tratamento da adenomiose

A adenomiose é diagnosticada por um ginecologista, e o início do diagnóstico ocorre pelo relato de sintomas, como sangramento, dificuldade de engravidar e útero inchado. Além dos sintomas e exame físico, são realizados outros exames, como: ressonância magnética (que apresenta maior sensibilidade) e ultrassonografia transvaginal (usada para avaliar o espaçamento do útero).

Com base no diagnóstico por imagem, a doença pode ser classificada de acordo com o estágio em que se encontra, podendo estar no:

  • Estágio I: a adenomiose se encontra apenas na região subendometrial;
  • Estágio II: a doença se encontra espalhada pelo miométrio;
  • Estágio III: a doença avança além do miométrio e alcança a serosa também;
  • Estágio IV: a adenomiose está bem além da serosa, atingindo outros tecidos e órgãos.

O tratamento da adenomiose depende de diversos fatores como: os sintomas relatados pela mulher, o tipo da adenomiose e também se a mulher deseja ou não ter filhos, sendo que o tratamento pode ser clínico ou cirúrgico.

  • Tratamento clínico: o tratamento clínico consiste em minimizar o efeito do estrogênio, pois a adenomiose depende diretamente do efeito do estrogênio aumentado. Esse tratamento pode ser hormonal, com a administração de medicamentos a base de progesterona, que ameniza os sintomas da doença mas não melhora o quadro clínico da doença.
  • Tratamento clínico para mulheres que desejam engravidar: para mulheres que desejam engravidar o tratamento medicamentoso consiste na administração de antiinflamatórios e outros que minimizem a dor durante o período menstrual. Em casos de adenomiomas, pequenas cirurgias podem ser realizadas para a retirada do nódulo (como a laparoscopia), essas cirurgias aumentam as chances de gravidez e amenizam os sintomas que ocorrem durante o período menstrual.
  • Tratamento cirúrgico: o tratamento cirúrgico é indicado para casos quando a adenomiose acomete o útero inteiro, sendo que o tratamento consiste na retirada do útero através da laparoscopia, procedimento minimamente invasivo. Além disso, pode ser indicado em casos de adenomiomas (assim como ocorre no tratamento de mulheres que querem engravidar), retirando apenas as partes do útero que foram acometidas.

Existem outros tratamentos para a doença, como a radiofrequência, a embolização das artérias uterinas e a ablação endometrial. Cada tratamento deve ser indicado levando em consideração quais os objetivos futuros da mulher e quais as suas principais queixas.

Marque uma consulta

Embora a doença tenha tratamento, pacientes com adenomiose devem ter um acompanhamento regular com um ginecologista e seguir o tratamento adequado, seja ele medicamentoso ou cirúrgico, diminuindo os riscos e as consequências que ela pode acarretar para a saúde da mulher.

Caso você apresente algum dos sintomas associados com a adenomiose ou tenha casos na família, procure um ginecologista para a investigação da doença. No Instituto Crispi somos especializados no tratamento de doenças ginecológicas de alta complexidade. Para mais informações clique aqui.

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