Sinéquias Intrauterinas

As sinéquias uterinas são cicatrizes, conhecidas também como aderências, formadas no interior do útero. Elas surgem decorrentes de processos inflamatórios do endométrio (endometrites), traumas pós-aborto ou pós-parto (76.5%), cesariana e cirurgia intrauterina (histeroscópicas).

A sinéquia pode ser assintomática, mas também pode causar infertilidade (43%), abortos recorrentes e alterações menstruais (62%, principalmente amenorréia). A síndrome que compreende a amenorreia decorrente de sinéquia intrauterina extensa, leva o nome de um dos primeiros estudiosos a descreve-la, e é conhecida como síndrome de Ashermann. Esta alteração uterina também pode trazer complicações para a gestação, como parto prematuro, placenta prévia e acretismo placentário (fixação da placenta na musculatura do útero).

O diagnóstico das sinéquias pode ser feito pela histerossalpingografia, e principalmente, pela histeroscopia, que é o exame padrão-ouro. A histeroscopia com a visão direta pode determinar a presença da sinéquia, sua localização, sua extensão (total ou parcial) e seu tipo (leves, moderadas e severas). Quanto mais extensa ou mais fibrosa (endurecida), pior o prognóstico.

O tratamento das sinéquias uterinas está indicado principalmente quando existe desejo reprodutivo, e também quando a paciente é sintomática. O tratamento é cirúrgico e visa restabelecer a anatomia do útero e a função do endométrio. A cirurgia pode ser feita somente através da histeroscopia, com lise das aderências, quando os limites podem ser determinados. E nos casos mais complexos ou extensos, a cirurgia histeroscópica deve ser feita junto com a laparoscópica para reduzir o risco de perfuração e complicações. Normalmente, no pós-operatório, são tomadas alguns cuidados para evitar a recidiva (reaparecimento) da cicatrização intrauterina, como a inserção do dispositivo intrauterino (DIU) e/ou a utilização de terapia hormonal. Um estudo realizado na França, verificou que 68.6% das pacientes submetidas à lise de sinéquias por histeroscopia não precisaram ser submetidas a um novo procedimento. As taxas de melhora e taxas de gravidez pós-cirúrgicas são boas, mas variam muito de acordo com o tipo e severidade da sinéquia.

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