Endometriose in Rio – Alice Brandão

Durante o 18º Endometriose e 3º Mioma in Rio, evento anual do Instituto Crispi em parceria com o Ambulatório do Hospital Pedro Ernesto, um dos assuntos mais abordados pelos palestrantes foi o aspecto diagnóstico das doenças, fundamental para os tratamentos que envolvem a filosofia minimamente invasiva. Para falar sobre o assunto, entrevistamos a Dra. Alice Brandão, especialista em Ressonância na Mulher da Clínica Felippe Mattoso e membro do Colégio Brasileiro de Cirurgiões. Confira!

 

1 – Quando uma paciente deve solicitar uma ressonância?

Dra. Alice Brandão: A ressonância magnética é um exame muito sensível para detecção principalmente da endometriose profunda, então eu acho que do ponto de vista do médico solicitante quando houver essa possibilidade é importante. Entenda-se endometriose profunda aquelas que têm uma invasão dos órgãos adjacentes, são lesões um pouco mais graves que pegam intestino, ureter, a bexiga… Também existem outras indicações que nós, inclusive, discutimos hoje aqui no congresso que seriam nas pacientes com infertilidade. Pode ser possível que essas pacientes tenham doença não-sintomáticas e que poderiam prejudicar o tratamento proposto. São várias as indicações, mas as principais são essas.

2 – Qual é o preparo para fazer um exame de ressonância?

Dra. Alice Brandão: A ressonância magnética para fazer o diagnóstico adequado de endometriose é uma ressonância diferente, então isso é um ponto muito importante. A paciente precisa fazer um preparo especial para a gente fazer a detecção das lesões pequenas que, apesar de serem profundas, podem medir um pouco mais de 5mm. Uma lesão profunda maior que 5mm já pode dar uma grande sintomatologia. Essa paciente precisa iniciar o preparo 24hrs antes. O que ele inclui? É um preparo intestinal, direcionado, então a gente vai fazer uma dieta pobre em fibras que vai fazer com que haja menos quantidade de fezes no intestino, visando detectar lesões principalmente do lado direito que é no ílio e no seco, no reto e no sigmoide. Com menor quantidade de fezes, a gente ainda tem maior possibilidade de detectar lesões menores fora do ambiente intestinal, nos ligamentos, no útero, na vagina, então todo exame fica com maior sensibilidade. Além disso, ela ainda faz mais outro preparo, a gente potencializa a melhora da detecção das lesões intestinais, fazendo uso do supositório de glicerina. Esse supositório, a gente para facilitar a vida mulher, recomenda que seja feito 8hrs antes do exame ou até propriamente na clínica se ela achar mais fácil. Isso tudo feito, faz com que o exame fique extremamente sensível para doença profunda, obviamente a doença ovariana e as lesões menores também ficam mais sensíveis. É importante a gente ressaltar que ressonância para endometriose não é qualquer ressonância é uma ressonância com preparo específico e com protocolo direcionado para endometriose.

3 – Por que a ressonância é o método mais eficaz para diagnosticar a endometriose?

Dra. Alice Brandão: Antes de responder isso, a gente tem que lembrar que a ultra e a ressonância magnética podem levar ao diagnóstico da endometriose, seja ela profunda, ovariana ou até a peritoneal. O grande diferencial da ressonância é o fato de ela conseguir enxergar todos os órgãos pélvicos e ainda as estruturas mais nobres: nervos, artérias, ureter e a musculatura do assoalho da pelve.  Essas últimas têm uma maior dificuldade de identificação na ultrassonografia. O que achamos é que, no mínimo, a paciente precisa ter uma ressonância magnética que vai definir claramente o grau de risco dessa paciente, dando uma segurança maior tanto para o médico assistente quanto para a paciente, porque faz a avaliação global da doença. Além de ver muito bem o comprometimento da doença dentro do útero. A gente pensa a endometriose como uma doença que está fora do útero e vai envolvendo todas as estruturas adjacentes, mas ela pode penetrar no útero. O fato de penetrar pode dificultar uma gestação e modifica totalmente a cirurgia e isso é claramente visto com a imagem mais fácil do que pela ultrassonografia.

4 – A paciente sente dores, faz uma ressonância e o resultado é negativo. O que ela faz?

Dra. Alice Brandão: Isso é muito importante, a gente recebe a paciente, acredita no diagnóstico clínico, ela realmente tem dor, tem razão de estar lá e pode se deparar com esse resultado negativo. É importante ressaltar que quem diagnostica a endometriose é o ginecologista, não o radiologista. Isso significa que ela tem endometriose clinicamente, mas como não há expressão na ressonância, não é avançada, profunda, nem ovariana. Tem doença superficial ou peritoneal, em fase inicial que, obviamente, toca estruturas que têm grande sensibilidade e dão dor. O fato de ser negativo não indica que não tenha doença, ela tem a doença, mas é menos agressiva.

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