Cirurgia durante a gestação: conheça os principais distúrbios e doenças que podem exigir intervenção cirúrgica

A gestação é um período que requer muita atenção e cuidado com a saúde. Embora a gestante possa manter sua rotina normalmente, ela precisa estar atenta, pois a saúde do bebê depende diretamente da saúde da mãe. Durante a gestação, a mulher passa por acompanhamento médico regular, com consultas mensais, para verificar se a saúde dela e do bebê estão em dia, chamado de pré-natal.

Durante as consultas realizadas no período pré-natal, é possível monitorar o desenvolvimento de doenças que podem afetar a saúde do bebê, como a Diabetes Gestacional. No entanto, em alguns casos algumas outras doenças ou problemas de saúde podem oferecer risco de vida diretamente para a gestante, e nesses casos pode ser necessário o tratamento cirúrgico.

Quando é necessária a intervenção cirúrgica em pacientes durante a gestação

Existem alguns casos delicados onde é necessária a cirurgia, mesmo que a paciente esteja gestante, pois não realizar a cirurgia representa um risco muito maior para a paciente. Estima-se que duas a cada 1000 mulheres precisam realizar uma cirurgia durante o período gestacional, representando em torno de 2% das gestações anuais mundiais. As principais condições de saúde que requerem cirurgia são:

  • Apendicite

A apendicite é a inflamação do apêndice, sendo uma condição comum após o parto, mas que pode ocorrer durante a gestação, e em alguns casos não ser identificada precocemente, pois os sintomas são parecidos com os da gestação. Por conta dessa possível demora de diagnóstico, a apendicite pode se agravar e precisar de uma cirurgia de emergência, mesmo durante a gestação.

  • Cistos ovarianos benignos

Esses cistos são bem comuns no início da gestação, sendo que na maioria dos casos desaparecem de forma espontânea. No entanto, em casos onde há aumento da massa de cisto, dor intensa e características radiológicas de câncer, é necessária uma intervenção cirúrgica, mesmo durante a gestação.

  • Doença na Vesícula Biliar

A vesícula biliar é o órgão responsável pelo armazenamento da bile, uma substância que atua na digestão de gordura. Em casos de doença da vesícula biliar, há o acúmulo de bile e consequentemente formação de cálculos (pequenas pedras) biliares, sendo necessário remover a vesícula biliar em casos mais graves. Embora não seja tão comum na gestação, pode ocorrer a necessidade da remoção da vesícula biliar ou do cálculo biliar mesmo durante a gestação.

  • Obstrução Intestinal

A gestação é um período de diversas mudanças no organismo, e uma das consequências que essas mudanças podem resultar é em necrose intestinal, que pode evoluir para uma obstrução intestinal, e nesses casos é necessária intervenção cirúrgica, principalmente se a gestante apresentar algum fator de risco, como infecção intra-abdominal.

Quais os riscos da cirurgia durante a gestação

Realizar uma cirurgia durante a gestação representa um grande risco terapêutico, além dos desafios que traz para a equipe e para a gestação. De forma geral, as cirurgias durante a gestação quando são realizadas de forma adequada e com uma equipe especializada, podem trazer resultados positivos para a gestante e para o bebê.

No entanto, há alguns riscos envolvidos por trás da realização dessas cirurgias, como o risco de parto prematuro ou risco de morte fetal, além de todos os riscos associados com cirurgias, por menores que sejam. Em contrapartida, é extremamente essencial que um profissional especialista avalie os riscos e os benefícios da cirurgia durante a gestação, assim podendo avaliar o custo benefício da cirurgia, pensando tanto na gestante quanto no feto.

Quais as principais alterações da gestação que podem afetar a cirurgia

A gestação é um período marcado por alterações fisiológicas, que podem influenciar diretamente na cirurgia, sendo que a equipe precisa estar atenta a todas essas modificações da gestação. As principais alterações da gestação que podem afetar a cirurgia são:

  • Alterações respiratórias

A gestação traz diversas alterações no sistema respiratório, sendo que uma das principais alterações é o aumento do consumo de oxigênio.

Alterações hematológicas e cardiovasculares

A gestação resulta também em alterações cardiovasculares com as quais a equipe precisa se atentar, como aumento dos fatores pró-coagulantes e aumento da frequência cardíaca.

  • Alterações gastrointestinais

As principais alterações durante a gestação são as alterações gastrointestinais, como por exemplo o deslocamento de vísceras por conta do aumento do volume uterino, sendo que esse deslocamento é um dos principais motivos para que a dor na apendicite não seja na localização convencional.

Como a cirurgia por laparoscopia pode ser benéfica para a gestante

Por conta de toda a complexidade da gestação, as cirurgias minimamente invasivas são uma ótima opção para a realização de cirurgias em gestantes, principalmente as cirurgias que contam com um suporte visual, como a videolaparoscopia. A videolaparoscopia durante a gestação não diminui a gravidade da doença, mas torna o tratamento menos agressivo e reduz as complicações do pós-operatório, extremamente importante para a gestação. Dentre as principais vantagens da videolaparoscopia durante a gestação, as mais importantes são:

  • Menor tempo de hospitalização para a cirurgia;
  • Redução do trauma cirúrgico;
  • Redução do risco de complicações pós-operatórias, como sepse;
  • Menor chance de sofrimento fetal, que pode ocorrer em técnicas convencionais.
  • uRedução dos riscos de partos prematuros e morte fetal por conta da cirurgia, um dos maiores riscos durante a cirurgia na gestação.

Além disso, com a técnica de videolaparoscopia o cirurgião consegue ter maior visualização da cavidade abdominal para a realização da cirurgia, dando maior precisão para a cirurgia.

Embora a cirurgia seja necessária em alguns casos mesmo durante a gestação, é necessário que o cirurgião tenha uma conversa clara com a gestante e explique os benefícios e riscos da cirurgia, para que a decisão da realização da cirurgia possa ser tomada em conjunto.

No entanto, é importante sempre ressaltar que em situações de urgência cirúrgica, a cirurgia deve ser realizada, mesmo com os riscos para o feto. Já no caso de situações em que não há urgência cirúrgica, a cirurgia pode ser programada para o período após o parto e recuperação da gestante.

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